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Pressão alta: Hipertensão Arterial em Felinos

20 / jun / 2022

MV Vanice Dutra – especializada em medicina felina

A hipertensão sistêmica é uma condição comum em gatos mais velhos e geralmente é secundária a outras doenças, como o hipertireoidismo ou doença renal crônica. Ela é verificada através da mensuração da pressão arterial em consultório. Embora a maioria dos gatos diagnosticados com hipertensão possuam uma doença sistêmica que justifique seu aparecimento, cerca de 20 % dos gatos hipertensos não apresentam nenhuma causa de base aparente.

Método para a mensuração da pressão

Normalmente a pressão é mensurada através da auscultação indireta do pulso do felino com o auxílio de um aparelho Doppler, que vai amplificar o volume do som produzido pelo pulso em um dos membros ou na cauda do animal.

Assim como nos humanos, coloca-se um manguito de tamanho adequado no membro escolhido para a mensuração e infla-se o mesmo, até haver a obstrução do fluxo sanguíneo. Depois relaxa-se o manguito, até que o fluxo sanguíneo volte, obtendo-se assim a mensuração da pressão.

Tipos de hipertensão

A hipertensão pode ser idiopática ou primária (quando não há nenhuma doença primária aparente) ou pode ser secundária, quando é possível identificar uma doença ou utilização de medicações que justifiquem o aparecimento da hipertensão.

  • Hipertensão idiopática ou primária: considera-se que cerca de 13 a 20 % dos gatos com hipertensão tenham hipertensão primária. Ainda não se sabe qual a importância dos fatores genéticos ou ambientais para o aparecimento da hipertensão primária. Também são necessários mais estudos para determinar o quanto pacientes doentes renais crônicos, ainda sem alterações da ureia e creatinina sanguíneas, podem já apresentar hipertensão arterial.
  • Hipertensão Secundária: é a forma mais comum de hipertensão em gatos. Pode ocorrer em muitas doenças, como:

– Doença Renal Crônica: cerca de 75% dos animais com hipertensão têm alteração da ureia e creatinina. Entretanto, entre 16 e 65% dos doentes renais crônicos são hipertensos.

– Hipertireoidismo: a hipertensão afeta cerca de 10 a 23% dos gatos com hipertireoidismo no momento do diagnóstico, embora alguns destes gatos tenham doença renal crônica concomitantemente. Além disso, cerca de 25% dos gatos com o hipertireoidismo controlado desenvolverão hipertensão sistêmica.

 – Diabetes mellitus: em gatos diabéticos observa-se uma pressão arterial discretamente maior do que em gatos saudáveis, mas ainda não há relação descrita entre Diabetes mellitus em gatos e hipertensão, ao contrário do que ocorre com humanos.

Consequências da hipertensão

A hipertensão pode causar danos especialmente em órgãos que são ricamente vascularizados e os sintomas que o felino vai apresentar dependerá do órgão afetado. Nos olhos é comum observar-se cegueira repentina devido a descolamento de retina ou hemorragia intraocular. A cegueira pode ser permanente, mesmo após o controle da pressão arterial.

O felino pode apresentar convulsões, desorientação, andar irregular, depressão, letargia e desequilíbrio em casos de hipertensão importante atingindo o cérebro. O aumento constante da pressão arterial pode causar hipertrofia (aumento do tamanho) do músculo cardíaco, e ocasionalmente pode haver falência cardíaca. Por fim, a hipertensão pode ser causa ou consequência da doença renal, mas sabe-se que ela aumenta a perda de proteínas pelos rins, o que está relacionado à piora da doença renal.

Grupos de risco

A hipertensão (pressão alta) é mais comum em gatos mais velhos (acima de 10 anos de idade), embora já tenha sido observada em animais jovens (com cerca de 5 a 7 anos). Além disso, como a hipertensão geralmente é secundária a uma doença de base, animais nefropatas (lesão ou doença do rim) ou hipertireoideos (produção excessiva de hormônios da tiroide) devem ter sua pressão arterial controlada frequentemente. Os animais com sintomas compatíveis com hipertensão (por exemplo, cegueira súbita) devem ter sua pressão mensurada e depois deve-se procurar uma doença de base.

Tratamento

Deve-se considerar o tratamento da hipertensão em todos os felinos que apresentem sintomas de hipertensão (como sintomas neurológicos ou oculares). O tratamento é realizado com medicação anti-hipertensiva e geralmente por longos períodos ou até por toda a vida do paciente felino. De toda forma, o paciente hipertenso deve ser monitorado de perto desde o diagnóstico da doença tanto para o controle da pressão arterial como para o controle de doenças de base. Além disso, a mensuração da pressão arterial deve fazer parte dos exames de rotina de saúde dos pacientes felinos, principalmente daqueles acima dos 7 anos de idade, a fim de se prevenir o aparecimento de complicações provenientes da hipertensão.

Referências:

– BROWN S., ATKINS C., BAGLEY R. Guidelines for the identification, evaluation, and management of systemic hypertension in dogs and cats. J Vet Intern Med 2007; 21: 542–558.

– ELLIOT J., BARBER P., SYME H. Feline hypertension: clinical findings and response to antihypertensive treatment in 30 cases. J Small Anim Pract 2001; 42: 122–129.

– ETTINGER S., FELDMAN E. Tratado de medicina interna veterinária – doenças do cão e do gato, 5ed, vol 1, Rio de Janeiro, RJ, Guanabara Koogan S. A., 2004.

– MORROW L., ADAMS V, ELLIOTT J. Hypertension in hyper-thyroid cats: prevalence, incidence and predictors of its development [abstract]. J Vet Intern Med 2009; 23: 699.

– TAYLOR S., SPARKES A., BRISCOE K., CARTER J., SALA S., JEPSON R., REYNOLDS B., SCANSEN B., ISFM Consensus Guidelines on the Diagnosis and Management of Hypertension in Cats. Journal of Feline Medicine and Surgery 2017 ; 19 :288-303.

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