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FiV e FeLV: câncer em gatos

26 / out / 2021

Os felinos são afetados por dois importantes retrovírus: o vírus da Imunodeficiência felina (cuja sigla em inglês é FIV ) e o vírus da Leucemia Felina ( cuja sigla em inglês é FeLV ).

Esses vírus parasitam as células de defesa dos seus hospedeiros felinos e utilizam seu DNA para se multiplicarem e se espalharem pelo organismo. São sensíveis ao meio ambiente e a desinfetantes comuns.

A transmissão do FeLV ocorre principalmente através do contato com a saliva de gatos contaminados, mas também pode ser pelo contato com urina e fezes contaminados. Filhotes podem se contaminar por via transplacentária e pelo leite materno.

Este vírus entra no organismo do felino e se espalha por meio de células de defesa do hospedeiro (monócitos e linfócitos), ganhando a circulação e atingindo os tecidos linfóides ( regiões e órgãos ricos em células de defesa ), em glândulas e na medula óssea. Na maioria dos casos o felino consegue eliminar o vírus antes que isso aconteça. Em alguns casos, a resposta imune do indivíduo é o suficiente para impedir a replicação do vírus, mas não para eliminá-lo, então o vírus pode ficar “latente” no corpo do animal e pode causar doença em qualquer momento de sua vida. Quando a resposta imunológica do indivíduo não é adequada, ele vai apresentar a infecção progressiva e desenvolverá sintomas da doença.

Nos casos em que o vírus não é eliminado, ele se incorpora ao DNA da célula do hospedeiro alterando sinais regulatórios da mesma e podendo levar a produção de células anômalas cancerígenas nos tecidos linfóides. Por isso estão relacionados a esse vírus o surgimento de linfomas ( tumores em órgãos de defesa que estão em todo o corpo do felino ) e leucemias (quando as anomalias ocorrem em células precursoras de células sanguíneas dentro da medula óssea) . Alguns autores encontraram o vírus em até 90% dos pacientes felinos que tinham linfoma na região do mediastino ( intra-torácico ) .
Estes tumores malignos são causados por uma ação direta do vírus no DNA da célula do hospedeiro.

Já o FIV é transmitido principalmente pelo contato do animal saudável com a saliva e sangue de individuo doente, o que acontece muito durante brigas, por exemplo.

Após entrar no organismo, o vírus alcança os tecidos linfoides e se prolifera em suas células de defesa, diminuindo a imunidade do felino. Isto faz com que ele esteja mais susceptível a infecções longas, recorrentes e a doenças oportunistas. O sistema imunológico destes gatos fica debilitado, diminuindo a sua capacidade de identificar invasores ou mutações malignas de suas próprias células, predispondo-o aos mais variáveis tipos de tumor. Isso explica porque os indivíduos positivos para o FIV são 5 vezes mais predispostos a apresentarem tumores do que os indivíduos negativos.

Na maioria das vezes esses vírus podem ser identificados através de testes laboratoriais de sangue, ou alguns casos, deve ser realizada a coleta da medula óssea para sua identificação ( sobretudo para o FeLV).

O câncer causado pelo FeLV ( linfomas e leucemias ) é grave e geralmente de prognóstico ruim. No caso de tumores na presença de FIV, a resposta do individuo dependerá também do tipo de tumor.

A FIV e a FeLV não têm cura. Atualmente existe disponível no Brasil vacina contra a FeLV, mas não contra a FIV. Como são doenças de contágio direto, aconselha-se que animais positivos para elas sejam mantidos separados de animais negativos.

Vanice C. D. Allemand

Médica Veterinária – medicina felina PetCare

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