Avaliação Clínica do Gato Obeso – Obesidade em Gatos Parte III

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Avaliação Clínica do Gato Obeso - Obesidade em Gatos Parte III 08 de julho de 2011

fat cat - Avaliação Clínica do Gato Obeso - Obesidade em Gatos Parte III

O primeiro passo na identificação e correção da obesidade é reconhecer que ela existe. Obviamente, não é difícil de reconhecer um animal extremamente obeso, mas quando a obesidade é sutil ou no início, o veterinário tem que identificar alterações corporais discretas que indiquem essa condição precocemente, quando então somente a correção da dieta e estímulo a exercícios devem ser estabelecidos para prevenir a progressão da obesidade.

Mensuração do peso do animal, identificação do que seria o peso ideal, determinação do escore corporal, morfometria e índice de massa corporal são ferramentas utilizadas para determinar o quão obeso é um gato.
Os clínicos devem se familiarizar com ao menos uma dessas técnicas e isso então deve fazer parte do exame clínico do animal e na manutenção da saúde dele. Os proprietários têm que saber identificar quando o seu animal já está no limite de peso e reconhecer que o controle de peso é importante para a longevidade e qualidade de vida do seu gato.

OBESIDADE E DIETA

A dieta deve ser considerada como método de prevenção à obesidade para todo gato. Diferente das outras espécies de animais domésticos como o cão, o gato é essencialmente carnívoro. Eles precisam consumir carne e gordura animal para suprir as suas necessidades ou então a dieta oferecida deve ser suplementada apropriadamente com aminoácidos e ácidos graxos que eles são incapazes de sintetizar como as outras espécies de onívoros que o fazem de outras fontes alimentares. As rações mais comumente usadas para gatos são as rações secas. Essas rações são formuladas e balanceadas, facilmente encontradas em qualquer estabelecimento, de fácil manuseio e armazenamento e extremamente palatáveis, porém estão longe de se parecer com uma dieta essencialmente carnívora. Essa particularidade dos gatos deve obrigatoriamente ser levada em consideração quando decidimos instituir uma dieta para perda de peso ou manutenção dele.

PROTEÍNAS

Como animal essencialmente carnívoro o gato usa a proteína como fonte de energia, mesmo quando outra fonte energética, como o carboidrato, está disponível. Estudos recentes têm avaliado a importância das gorduras e carboidratos como fatores envolvidos na prevenção e manejo da obesidade. Mesmo sabendo da importância de controle de ingestão de calorias para conseguir a redução do peso em gatos, é extremamente importante reconhecer o envolvimento das proteínas no metabolismo felino. Estudos comprovam que gatos que consomem dietas ricas em proteínas (acima de 45% de energia metabolizável – EM) têm aumento do metabolismo energético, aumento da oxidação de gorduras e aumento da tolerância a glicose, enquanto que gatos que consomem dietas ricas em carboidratos têm baixo metabolismo energético, requerem menos calorias para suprir suas necessidades e têm ganho de massa gordurosa. Outros estudos têm demonstrado que em gatos obesos recebendo dietas com altos níveis de proteínas, a perda da massa gordurosa é maior e a preservação do tecido muscular é mais eficiente. Isto é muito importante, pois o tecido muscular é que mantém o metabolismo mais ativo. A perda de tecido muscular facilita o efeito sanfona, e particularmente em gatos, a manutenção da massa muscular pode ser o segredo do sucesso na perda de peso.

Alguns estudos têm mostrado que todo gato que consome uma dieta com níveis de proteína em torno de 45% de EM tem perda de tecido muscular durante o regime de perda de peso. Esse achado sugere que dietas com mais de 45% de EM em proteínas pode ser necessária durante o regime de perda de peso para ter perda de massa gordurosa e preservação da massa muscular.

Resumindo, dietas com altos níveis protéicos são essenciais na preservação do tecido muscular durante dieta de restrição de calorias e perda de peso em gatos obesos e é importante para a manutenção da eficácia da insulina, prevenindo problemas futuros de intolerância a glicose (diabetes). Além disso, dietas protéicas com mais de 45% de EM permitem um metabolismo muscular mais eficiente.

CARBOIDRATOS

Os carboidratos são o maior componente da maioria das rações secas e de algumas rações úmidas felinas e caninas devido às facilidades de processamento, conservação e de custo. A digestibilidade e índice glicêmico da dieta com carboidratos variam de acordo com a fonte de carboidratos. Carboidratos de alta digestibilidade são aqueles provenientes de arroz e batata cozidos, os de menor digestibilidade são aqueles provenientes de cevada, trigo e milho.

Carboidratos de alta qualidade em rações comerciais são geralmente de alta digestibilidade e são rapidamente transformados em fonte de energia disponível. Se o animal é ativo e precisa de energia o carboidrato é usado eficientemente para esse fim, porém se o animal é sedentário, toda energia proveniente do carboidrato que não é usada é armazenada na forma de gordura. A quantidade e tipo de carboidrato usado na dieta felina têm relevante importância por diversos motivos:

1. A capacidade do gato em processar a carga de carboidratos da dieta é muito diferente dos onívoros.
2. Pelo fato dos gatos usarem a proteína como fonte de energia, quando a dieta tem energia em excesso, gatos sedentários e confinados, não usa a energia proveniente dos carboidratos.
3.  Dietas ricas em carboidratos resultam na redução de energia metabolizável em repouso, então os gatos têm que consumir menos alimento para manter o peso apropriado.

Apesar do carboidrato não fazer parte da dieta dos gatos, eles conseguem digeri-lo absorve-lo e usá-lo muito bem. No entanto, o tipo de carboidrato é muito importante e tem significantes diferenças na glicemia, níveis de glicose pós prandial, secreção de insulina e ingestão de alimentos entre gatos normais e gatos obesos.

GORDURA

O papel das gorduras é também muito importante na obesidade felina, pois as gorduras fornecem grande quantidade de energia por grama de dieta. Como resultado existe um grande número de rações comerciais disponíveis no mercado com baixos níveis de gorduras para o controle de peso em felinos. Estudos recentes mostram que o controle de calorias provenientes de gordura é essencial nos programas de controle de peso. No entanto a gordura da dieta tem muitos papeis no metabolismo, além de ser uma excelente fonte de energia. Há diferenças cruciais no requerimento felino de gorduras que devem ser considerados quando for escolher uma dieta.

Como carnívoro os gatos requerem suplementação adicional de ácidos graxos (principalmente acido araquidônico) e vitaminas lipossolúveis na sua dieta que normalmente viriam dos tecidos gordurosos de suas presas durante a caça. Além disso, a gordura confere palatabilidade a dieta e os gatos são seletivos para dietas com baixo níveis de gordura (não palatáveis) ou que tenham gordura oxidada.

Contudo, enquanto a redução de gorduras é um importante método de controlar as calorias na dieta felina, não existem estudos em gatos mostrando a quantidade ideal de gordura na dieta. E assim como as proteínas e carboidratos, é essencial considerar o fato: dietas para perder peso em gatos devem ter alta concentração de proteínas (mais de 45% de EM), pouca gordura (para controlar as calorias), mas conter ácidos graxos essenciais suficientes para suprir as necessidades felinas e muito pouco carboidrato (para conseguir a redução do metabolismo energético e prevenir a conversão do excesso de carboidrato em gordura).

FIBRAS

O componente final da dieta dos felinos a ser considerado em dietas para perda de peso são as fibras. Muitas das dietas de redução de calorias adicionam fibras insolúveis ou diferentes tipos de fibras, como a celulose e polpa de beterraba e são usadas há muitos anos pela sua habilidade de diluir calorias e produzir grandes volumes ingeridos causando saciedade com baixos índices calóricos. As fibras ajudam no controle glicêmico e controle de peso, promovendo a lenta e contínua absorção de glicose e outros nutrientes no trato gastrointestinal e aumentando a velocidade de passagem do alimento através do intestino delgado. Contudo este efeito, enquanto benéfico para a perda de peso, resulta em redução da digestibilidade de proteínas e pode levar a efeitos indesejados como aumento do volume fecal, constipação, recusa do alimento e pele ressecada. Como resultado, muito proprietários e gatos não gostam de dietas com moderado a altos níveis de fibras (mais de 15% de matéria seca). Não existem estudos que demonstram uma quantidade ou tipo de fibra considerada ótimo para uso em rações de gatos para esse propósito. Assim uma quantidade moderada de fibras mistas (5% a 12% de matéria seca), pode ser considerada ideal.

Se uma dieta com moderada a alta quantidade de fibras é escolhida, o efeito sobre a digestibilidade de proteínas deve ser considerado e uma apropriada quantidade de proteína deve ser adicionada ao alimento para prevenir a redução da proteína disponível. Assim como qualquer estratégia alimentar, o aumento de fibras na dieta não deve ser encarado como a solução para a perda de peso, mas pode ser incluído como parte de um programa no controle da ingestão de calorias.

Adaptado da revista COMPENDIUM (Continuing Education for Veterinarians) June/2009

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