Melanoma em cães e gatos

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Melanoma em cães e gatos 02 de fevereiro de 2015

Dia 04 de fevereiro é o Dia Mundial de Combate ao Câncer. A doença também afeta os cães e gatos e, entre os maiores problemas, está o melanoma. O melanoma não é um assunto comum, por isso os donos de cães e gatos necessitam do maior número de informações possíveis. Ao procurar um serviço específico para o seu pet, você encontrar profissionais que sabem o que estão falando e que utilizam de estudos comprovados para tratar dos pacientes.

Para esclarecer as principais dúvidas, o Dr. Alex Lafarti do Hospital Veterinário Pet Care explica melhor sobre essa doença. Acompanhe:

01 – Este problema de pele tem alta incidência entre os pacientes atendidos no Pet Care? Aumentou nos últimos anos?

O Melanoma é um câncer relativamente comum dos cães, especialmente naqueles com bastante pigmentação na pele, nos gatos é raro. É um tumor dos melanócitos (células que produzem o pigmento melanina) e estas células estão localizadas em diversas regiões do corpo, na pele principalmente, mas também na cavidade oral, interdígito, no leito ungueal (unha), nos coxins (almofadas das patas), olhos, junções muco cutâneas e trato gastrointestinal. É o tumor maligno mais frequente na cavidade oral de cães.

A incidência dos tumores, de modo geral, tem aumentado devido, na verdade, a um melhor diagnóstico. As pessoas têm se preocupado mais com seus cães e os levam ao veterinário mais precocemente. Além disso, também face ao tempo de vida de nossos animais de estimação, os cães e gatos, devido aos bons recursos de boa alimentação e cuidados de saúde e avanço nas tecnologias diagnósticas, vivem mais e, consequentemente, as doenças degenerativas como o câncer, decorrentes dessa longevidade, começam a ser mais identificadas.

02 – Quais os fatores levam os animais a apresentar este tipo de doença?

Em humanos, o melanoma cutâneo cresce devido a uma mutação genética induzida por exposições repetidas vezes e de forma intensa aos raios solares ultravioleta e é um dos tumores que mais cresce em incidência. Os cães, porém, possuem uma camada de pelos que confere proteção contra os raios do sol, portanto, é menos provável que essa seja a causa do melanoma nessa espécie. Na pele do cão, o melanoma é mais frequente nas regiões cobertas por pelos. Estudos recentes demonstram que o sistema imunológico, alteração nos oncogenes (aqueles que aceleram o crescimento tumoral) e nos genes supressores de tumor (que deveriam conter o crescimento), são os fatores determinantes no desenvolvimento. Injúria e traumatismos constantes na pele e mucosas, aumentando o turn-over (multiplicação celular), podem ser fatores de risco para desenvolvimento do melanoma.

03 – Existem raças/espécies e idades mais propensas?

As raças mais predispostas são o Scottish Terrier, Schnauzer, Golden Retrivier, Poodles, Dachshund e Boxers, com incidência maior em animais mais idosos entre os 9 anos e 13 anos, mas pode ser visto também em animais mais novos.

04 – Como é a aparência de um melanoma? Ele é parecido com outras doenças de pele? Quais? Como é possível diferenciá-lo?

O melanoma trata-se de uma lesão geralmente pigmentada (escura), podendo apresentar diversas formas, nódulos, tumorações, placas, máculas e lesões ulceradas, possui crescimento rápido, difuso e invasivo na dependência de sua localização. As lesões mais agressivas com pior prognóstico são as localizadas na cavidade oral e nos dígitos. O melanocitoma, uma lesão melanocítica benigna, pode ter a mesma aparência que um melanoma. O exame citológico e/ou a biópsia (histopatológico) ajudam no diagnóstico e diferenciação.

05 – Quais os exames detectam a presença de um melanoma?

Um bom exame físico e a localização da lesão levantam suspeita da existência do melanoma; A citologia como exame de triagem e depois o histopatológico completam o diagnóstico; Rx Us de abdome e tomografia auxiliam no estadiamento da doença.

06 – Existem diversos tipos e graus da doença? Quais são?

O estadio e grau da doença estão relacionados diretamente com a localização. Como já conversado, por exemplo, cães com melanoma no dígito, sem comprometimento do linfonodo regional e sem metástase a distância, tratado com cirurgicamente com amputação e margens livres, sem sinais da doença, têm o tempo de sobrevida de um ano em média.

Lembrar que, quando encontramos uma lesão tumoral de 1 cm de tamanho, essas células já se multiplicaram pelo menos 10.000 vezes e muitas já caíram na circulação ou invadiram outros locais, isso é pior ainda nas células malignas que desenvolvem uma série de mecanismos de sobrevivência contra as defesas do organismo.

Com relação a tumores na cavidade oral menores que 2 cm de diâmetro, sem linfonodo regional envolvido e sem evidencia de metástase, tratados com cirurgia, o tempo de sobrevida médio é de 12 a 14 meses, enquanto se o linfonodo estiver comprometido reduz para 3 meses.

07 – Como é o protocolo de tratamento do melanoma?

A cirurgia é a modalidade de tratamento local mais efetivo para o melanoma. Quando na pele (exceto em dígito), o comportamento tende a ser bem menos agressivo e muitas vezes apenas a cirurgia pode ser curativa. A radioterapia desempenha um importante papel no tratamento de melanoma em cães e gatos, seja como tratamento primário ou adjuvante, após cirurgia ou junto de protocolo quimioterápico.

No Brasil a veterinária trabalha para o desenvolvimento de centros de tratamento radioterápico que possam atender as necessidades de nossos pacientes. O melanoma é sabidamente um tumor pouco responsivo a quimioterapia sendo que em média 20% dos cães com melanoma respondem de forma parcial e pouco durável.

A imunoterapia, assim como no humano, pode representar uma estratégia lógica no tratamento sistêmico do melanoma. O desenvolvimento de vacinas, com o próprio tumor ou com cultura de células, no intuito de melhorar e estimular a imunidade por parte do paciente pode ter resultados promissores.

Baseado nos estudos imunohistoquímicos do tumor, vem sendo avaliado o potencial terapêutico do uso de anti-inflamatórios específicos.

08 – Existe algum diferencial no tratamento oferecido pelo Pet Care?

O diferencial do Pet Care está na qualidade dos seus clínicos, na capacidade de oferecer um exame radiográfico de qualidade com muita rapidez, na praticidade de ter no mesmo local uma tomografia de última geração no auxílio do estadiamento da doença, na excelência de seus cirurgiões e patologistas (com exame histopatológico transcirúrgico na avaliação de margens e imunoistoquímica para avaliação prognóstica) e na possibilidade de oferecer o melhor tratamento oncológico para um paciente que realmente necessita de muita atenção.

Atualmente o Pet Care tem um projeto em andamento para oferecer um serviço de radioterapia de ponta para nossos clientes, a radioterapia vai auxiliar no controle da doença. Em humanos, a radioterapia é considerada a modalidade mais efetiva de tratamento no manejo da dor por lise (destruição) óssea de origem tumoral.

09 – É possível realizar esses exames e tratamento em uma clínica comum? Ou geralmente só os hospitais possuem a estrutura necessária?

A citologia é um exame bastante simples de realização, seja por aspiração, capilaridade ou imprint, não requer material especial, apenas uma técnica adequada de realização, identificação e conservação da amostra citológica. Quanto ao tratamento, as cirurgias de pele podem ser realizadas em pequenos centros cirúrgicos, porém amputação de dígitos e cirurgias mais extensas da cavidade oral requerem centros com estrutura apropriada.

10 – O animal sente dor quando tem melanoma?

Sim, o Melanoma está diretamente relacionado com processo inflamatório e seu caráter invasivo das falanges (no caso do dígito) e da mandíbula e maxila (no caso da cavidade oral) é fator determinante para dor local intensa. Quando na cavidade oral o animal tem salivação intensa (baba), muitas vezes com sangue, quando a lesão é ulcerada, mau hálito (odor de necrose), mastiga com dificuldade, geralmente do lado contrário da lesão e edema (inchaço) da face. No dígito, o paciente manca e às vezes nem consegue apoiar a pata nas lesões mais ventrais. Após a cirurgia, no caso da cavidade oral, existe um rápido período de adaptação, mas o paciente volta a se alimentar normalmente.

11 – É um câncer de rápida metástase? Em quanto tempo se espalha e quais as consequências?

Sim, Melanomas de cavidade oral e dígito tem alto potencial metastático. Por ter alta taxa de multiplicação celular em poucos meses as metástases são formadas, geralmente em linfonodos (gânglios) e pulmão. Estudos demostram que 70% dos cães no ato do diagnóstico de melanoma de cavidade oral têm o linfonodo regional acometido, mas que em apenas 30% destes, os linfonodos acometidos estavam aumentados de tamanho, por isso da importância do estadiamento com a orientação de um oncologista.

As consequências de uma neoplasia espalhada estão diretamente relacionadas ao mau funcionamento do órgão acometido, por exemplo, se for o pulmão, insuficiência respiratória, se no fígado, insuficiência hepática, além da doença neoplásica avançada desencadear síndromes como a caquexia (emagrecimento), por consumo de nutrientes pelas células neoplásicas e pela falta de apetite e mal estar, que se torna pior ainda nas neoplasias da cavidade oral.

12 – Por ser de difícil identificação, os donos recorrem a um veterinário geralmente quando o caso é grave?

Infelizmente nem todos tem o costume de fazer o exame da cavidade oral de seus cães, em alguns casos isso realmente é difícil e só quando aparecem os sintomas é que se identifica que algo está errado. Outras vezes a lesão se localiza no fundo da boca dificultando mais ainda sua identificação.

13 – Quais as vantagens de se detectar o problema no início da doença?

O prognóstico está relacionado diretamente com o tamanho da lesão, então quanto mais precocemente se identifica e retira o tumor, maior o tempo de sobrevida. Além disso, no estágio inicial, a doença geralmente, ainda não afetou o estado clínico do paciente, permitindo uma recuperação pós-cirúrgica mais rápida.

14 – Muitos cães morrem em decorrência do melanoma?

Sim, de acordo com fatores prognósticos como localização e estadiamento da doença.

15 – É comum a reincidência do melanoma?

Sim, local e metastática. Nas lesões com ressecção incompleta isso ocorre de forma muito rápida. Lembrando que para uma ressecção completa, muitas vezes temos que realizar um procedimento mais radical com remoção do osso, devido ao caráter infiltrativo da doença. O histopatológico trans-cirúrgico, realizado por congelamento, auxilia, em muito, na detecção e remoção das margens comprometidas por células neoplásicas.

16 – Como é feita a prevenção do melanoma?

Pelo exame frequente da cavidade oral, pelo proprietário e em toda visita ao veterinário, mesmo nas de rotina, por exemplo, para vacinação; e na manutenção da higiene da cavidade oral. Lembrando que é um tumor diretamente relacionado à inflamação e que fatores como trauma e injúrias constantes podem ser predisponentes para o desenvolvimento da doença, o tratamento periodontal (limpeza dos dentes) com remoção da placa dentária (tártaro), que causa inflamação gengival, ajuda na prevenção das neoplasias da cavidade oral.

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