Contos de Natal – Parte 2

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Contos de Natal - Parte 2 20 de dezembro de 2011

Certa manhã de Dezembro Elieser acordou e não se recordou que aquela manhã podia ser especial, afinal era dia 24, Véspera de Natal.

O Natal não representava muito para Elieser, na verdade representava sim,..muito… pouco, representava as ruas cheias, pessoas andando sempre com pressa com aquele sorriso no rosto , querendo agradar aos outros, aquelas canções chatíssimas falando de doação e bondade, causavam um calafrio naquela espinha já calejada arqueada e cheia de artrose.

Aqueles pobres pedindo ajuda e esperando que saísse do bolso do velho Elieser algumas moedas para uma refeição mais especial, afinal era Natal, mas daquele bolso não saia nem vento. Presentes nem pensar não tinha parentes, amigos ou alguém que merecesse ser lembrado. Natal era época para ficar em casa, quanto mais tempo na cama menos aborrecimentos, era sim que pensava Elieser.

Mas naquela manhã de 24 de Dezembro seria diferente, abriu os olhos ,olhou para o teto de seu quarto que a muito necessitava de uma pintura, ia se acomodar para se espreguiçar quando para sua surpresa, na cabeceira da cama visualiza uma estranha imagem que quase não conseguia definir, esfrega os olhos uma, duas vezes para ter certeza de que ainda não estava sonhando.

Quando então começa a recordar, fica pálido, um vento gelado parece tomar conta do quarto, Elieser percebe que não está sozinho e que a imagem que via na cabeceira era real, ou pelo menos parecia, sua memória se volta a época em que Elieser era muito jovem, devia ter seus 10 anos de idade.

Certo dia seu pai volta do trabalho com uma bela caixa com um laço vermelho, os olhos da criança ficaram do tamanho de duas jabuticabas, e ao abrir a caixa uma linda surpresa, um filhote de Cãozinho, um labrador.

Foram momentos maravilhosos. Por dois anos Elieser acompanhou o crescimento de seu amigo Arthur, era assim que o labrador era chamado, viviam numa grande fazenda e os dois corriam pelos campos e brincavam entre as árvores, realmente belos companheiros. No ano seguinte da chegada de Arthur, Elieser perdia sua mãe com uma doença respiratória grave, e foi Arthur que ficou ao lado da cama da criança ouvindo seus soluços, seu choro desesperado.

Elieser e Arthur 1

No ano seguinte veio outra triste notícia, Elieser e seu Pai iriam se mudar para a Cidade, morariam em uma casa onde não havia espaço para um cachorro, Arthur tinha que ficar.  A última vez que Elieser tinha visto Arthur foi da janela do carro, triste despedida. Seria essa a causa do trauma daquele velho senhor nos dias atuais?

Tão ranzinza e sem compaixão.Sim, era Arthur que se encontrava parado na frente da cabeceira e Elieser, sabia que muito tempo havia se passado, no mínimo 60 anos, fez as contas em sua cabeça rapidamente e Arthur com certeza já havia morrido. Elieser então soltou uma exclamação:

– Mas o que é isso !!! -e para seu espanto ouviu a resposta…-

– Olá Elieser! Surpreso? Veja voltei para te avisar, você mudou muito, seu coração está gelado, você só pensa em si mesmo e isso não está lhe fazendo bem, na verdade se isso continuar você será julgado e condenado a perder sua alma em um mar de sofrimento.

Elieser não acreditava no que via e ouvia, seu cachorro havia voltado do mundo dos mortos e falava com ele ali parado diante de sua cama. Mesmo assim resolveu argumentar já que estava sendo acusado…

– Veja Arthur eu não mudei, as pessoas mudaram, o mundo mudou, não vale a pena gostar de ninguém, todos te traem, falam pelas costas, são egoístas, isso de bondade de amor ao próximo é uma grande besteira para vender nas lojas, odeio crianças, odeio bichos, prefiro ficar sozinho é assim que fico bem…

Diante da teimosia do velho Elieser, o cão desabafa:

-Pois bem Elieser, vim aqui te trazer um aviso, antes da meia noite de hoje você será visitado por três Fantasmas essa será sua chance final, aproveite! A imagem de Arthur vai desaparecendo gradativamente no meio a uma névoa.

Elieser esfrega os olhos mais uma vez fica pensativo, olha para o lado, procurando a garrafa de uísque sobre o criado mudo, na certeza de que tudo aquilo não passava de uma manha de ressaca, mas não encontra. Será que já estava ficando louco, coloca em dúvida sua sanidade mental, levanta e volta à sua rotina …

(Continua no próximo post…)

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